Quando era bebê meu filho comia bem, mas agora nem quer saber de comida!

Basta ficar algum tempo na sala de espera de ambulatórios ou consultórios de pediatras que certamente se ouvirá:

– Não sei mais o que faço… Meu filho não come!

– Já estou ficando desesperada… Juro que ele não come!

A queixa é bem brasileira. O prato do dia a dia de todo pediatra. Acontece quando o bebê atinge 1,5 anos, 2, 3 anos. Se a mãe é de origem italiana, espanhola ou portuguesa, então nem se fala. Frequentemente continua carregando tradições dos antepassados que chegaram aqui no século passado. Quase sempre humildes, eles queriam trabalhar para que suas famílias tivessem o melhor futuro possível, com sucesso financeiro e muita saúde. Para todos, a comida sempre foi associada à boa saúde.

– Doutor, meu bebê comia bem, agora não quer mais…

– Ele não come nada o dia todo…

– Estou achando que ele está com algum problema…

“Ainda bem”, de pronto, quebra o gelo o pediatra o pediatra Ary Lopes Cardoso, chefe do Departamento de Nutrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “Graças a Deus, seu filho é normal!”

Calma, mãe (pai também!). O doutor Ary não está fazendo pouco caso da sua queixa. Ele fala sério.

“Só de observar a criança, dá para perceber que ela está se desenvolvendo bem”, afirma o doutor Ary. “Vamos pesar e medir o comprimento do seu nenê e ver se estão adequados “.

As explicações para o que está acontecendo são as seguintes:

* No primeiro ano de vida, em geral a criança ganha três vezes o peso que tinha ao nascer e metade (em centímetros) do comprimento do nascimento.

* No segundo ano, adquire cerca de 3,5 quilos e 8 a 10 centímetros de comprimento.

* Do terceiro ano até à puberdade, vai mais devagar :  cerca de 2 quilos e 5 a 6 centímetros por ano.

Matou a charada? Pois é isso mesmo. No primeiro ano de vida, o apetite é enorme porque as necessidades nutricionais para são muito altas para que as metas propostas sejam atingidas. Nos anos seguintes as necessidades anuais vão diminuindo e isso se traduz por menor apetite.

A família precisa entender isso. É necessário que o pediatra explique esse fenômeno fisiológico da diminuição do apetite. Se isso não ocorrer, a tendência da família é insistir, forçar, agradar (com guloseimas e outras tranqueiras engordativas ) e principalmente começa a “irradiar” a refeição: se comer esta colherada vamos passear, a vovó vai dar um presente, o papai vai deixar você brincar no carro, você vai crescer

Eventualmente o próprio pediatra cai na armadilha e prescreve equivocadamente um desses estimulantes de apetite.

“O resultado desses erros freqüentes, muitas vezes, é a obesidade no futuro”, alerta o doutor Ary. “Às vezes ao medir e pesar a criança já se nota o ganho excessivo de peso para a altura e idade.”

– O que fazer então?

Se o seu bebê vem mantendo uma velocidade de crescimento dentro de um canal adequado, tranqüilize-se, tranqüilize-se, tranqüilize-se…

No primeiro ano de vida, o leite materno deve representar o único alimento nos primeiros seis meses. No segundo semestre, inicia-se a introdução das frutas e da comida da casa, as papas. O leite materno continua sendo necessário. É um período em que a criança come a cada 3 ou 4 horas.

O interessante é que a partir dos seis meses a criança já entre nos horários da família. Por exemplo: tome o café da manhã na forma de leite materno ou fórmula infantil, seguida de lanche no meio da manhã (uma fruta com ou sem o leite), almoço (comida da casa amassada em peneira e com consistência pastosa), lanche à tarde (fruta ou leite com bolo ou iogurte  ou cereais) e jantar. À noite, novamente leite.

 – Mas meu filho não come NADA!!!

Nada mesmo? E aquelas três a quatro mamadeiras de leite, quase sempre com açúcar e cereais são o quê? Alimento. Por isso o seu filho não come outras coisas. As mamadeiras saciam o apetite dele.

“Talvez abolir as mamadeiras seja o único jeito de o seu filho passar a comer comida”, recomenda o doutor Ary. “Experimente. Depois, me conte.”

 

Fonte:Viomundo

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