O Ninho

Por Tatiana Musa

Fiz uma pesquisa para saber ao “pé da letra” o significado da palavra ninho: “Um ninho é uma

estrutura construída pelas aves e alguns outros animais para ali porem os ovos e fornecerem

proteção aos recém-nascidos.” – Fonte: Wikipédia

Temos uma mania enorme de dizer que nossa casa é o ninho para criar os filhos, pelo menos já

ouvi várias vezes, mas percebi que isso é uma distorção da definição da palavra. Diferente do

que fazem as aves, acredito que nós muitas vezes protegemos demais nossas crias e acabamos

extrapolando com a forma e o tempo que queremos ter controle da vida dos pequenos.

Sempre ouvi minha mãe dizer: “Tatiana, eu estou te criando para o mundo” e ao mesmo

tempo falando pela milésima vez “Pra mim vocês sempre serão crianças” e isso me confundia

demais (créditos para minha terapeuta!) afinal, quando é que eu estaria preparada para o

mundo que ela estava me criando se queria que eu fosse a princesinha dela para sempre?

Sei que deve ser muito difícil para uma mãe com o passar dos anos não falar para levar o

guarda-chuva porque vai chover ou não se preocupar se estão bem agasalhados, mas não é

sobre essa proteção que me questiono.

Um exemplo muito bom para vocês entenderem onde quero chegar é: a comida não fica

pronta sozinha! Sim… E a ficha só cai quando é preciso colocar a mão na massa. Talvez eu

nunca tivesse aprendido que dá trabalho lavar a alface se eu tivesse continuado vivendo no

“Fantástico Mundo Minha Mãe faz tudo pra mim” e ele incrivelmente aparece limpo na

geladeira, pronto pra eu comer. Não que eu não tivesse na época o conhecimento de causa

(tem que ir a feira, lavar, higienizar, secar, colocar no pote, lá lá lá…)mas eu nunca sentia na

pele todas as etapas pois era “protegida” até o momento de comer!

O problema é que muitas vezes a proteção é tanta que a criança acaba virando adulto sem

discernimento para tomar sozinho suas decisões. E ai, toda a solução acaba sendo a “barra da

saia da mãe”… O “ninho”.

Por isso é muito importante desde cedo estabelecer os próprios limites entre “participar” e

“viver”, ou seja, devemos ensinar como desenhar, podemos fazer companhia enquanto

desenham e até sugerir cores, mas entender que os desenhistas são eles e não podemos

assumir essa função.

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