Educar pode ser um processo lento e difícil, mas os resultados aparecem

Por Maria Eugenia Cardoso tem 38 anos, é Gerente de Marketing, corredora, é casada e tem 3 filhas

 

 

Ainda estamos nos ajustando à realidade depois de termos passado 9 dias na praia só fazendo coisas gostosas. O tempo estava ótimo, a praia uma delicia, o mar quentinho, limpinho e, todos os bichos marinhos que poderiam ter causado estresse (leia-se águas-vivas, carangueijos, etc…), não apareceram.

 

Trouxemos de volta conosco um bronze incrível, memórias deliciosas de momentos em família, ainda mais com os meus pais e com a família gigante da minha irmã que tem 5 filhos, e também muitas saudades de dias gostosos passados juntos. Depois de ter morado 13 anos nos Estados Unidos, passar tempo em família para mim é uma bênção inacreditável e eu agradeço cada oportunidade que eu tenho de estar na companhia deles.

 

Dentro da nossa mala também trouxemos uma enormidade de momentos passados entre nós 5, nossa família querida e iluminada, nossas três filhinhas quem não nos cansamos de beijar e abraçar o tempo todo. Pulamos corda, brincamos de esconde esconde, duro ou mole, pega-pega banana, elefante colorido, pato-pato ganso, sem contar os projetos arquitetônicos que o meu marido fez na areia da praia com sua pá de jardinagem (já que as convencionais não tinham lá uma performance muito boa). Fizemos o canal do Panamá, o castelo da bruxa, uma piramide Maia e mais outros monumentos que sempre acabavam sendo distruídos por uma das crianças já meio entediada.

 

E dois dias depois do nosso retorno, tivemos que voltar ao trabalho. E o circo pegou fogo: “Mamãe, não entendo por que você tem que trabalhar!” “Você gosta de trabalhar mais do que de ficar com a gente”- nossa, essa aqui foi forte. Mas explicamos que era assim que tinha que ser e que elas ainda tinham muitos dias de férias pela frente para aproveitar e brincar de TUDO o que quisessem. Eu mesma fiz uma lista enorme para que idéias não faltassem e o primeiro dia transcorreu normalmente.

 

Em compensação, hoje cedo a casa caiu. As três começaram a fazer birra ao mesmo tempo em que me viram aparecer para tomar café da manhã vestida para o trabalho e o meu marido de gravata. “Vocês vão trabalhar DE NOVO??????” E aí foi.

 

O café da manhã se transformou num rinque de luta. Nada que tinha na mesa era bom, Teka queria comer pipoca enquanto Julia pediu um tostex e quando olhou para ele disse que não queria mais. Duka por sua vez encheu o prato de cereal e leite e esperou o suficiente para aquela mistura virar um verdadeiro cimento que qualquer pedreiro poderia usar para assentar tijolo. Choros, lágrimas, aflições. Eu sugeri brincadeiras que foram veemente censuradas. Ainda tentei falar sobre o campo de ferias que eu tinha encontrado e onde gostaria de levá-las na semana que vem.

 

Só recebi cara feia, boca torta, mais lágrimas e até uns desaforos. Sugeri que descessem no parquinho para brincar. As 3 disseram não. Mas não disseram só não. Foi um belo e sonoro NÃO.

 

Bom, diante dessa tourada, eu e meu marido, como se houvessemos trocado mensagens telepáticas tivemos um daqueles momentos “sossega leão”e colocamos todos os pingos nos is. “QUERO VER TODO MUNDO BRINCANDO COM OS MIL BRINQUEDOS QUE TEM AQUI. SE VOCÊS ESTÃO CANSADAS DOS BRINQUEDOS, VAMOS AJUNTAR TUDO E DAR PARA AS CRIANÇAS QUE NÃO TEM NADA! TENHO CERTEZA DE QUE ELAS ADORARIAM. E O PARQUINHO? VOCÊS ACHAM PEQUENO DEMAIS? QUERO TODO MUNDO SAINDO DE CASA, INDO AO PARQUINHO E USANDO A IMAGINAÇÃO. BRINQUEM COM O QUE TEM, CRIEM, PENSEM, FAÇAM DE CONTA. HOJE NÃO TEM TV E O IPAD ESTÁ PROIBIDO DURANTE A SEMANA. PARA SEMPRE. QUERO VER TODO MUNDO USAR A CUCA!”

 

Dentre choro e ranger de dentes, saímos para trabalhar. Coração pequenininho, aperto no peito, dor na consciência… todos esses sentimentos sentadinhos ali do meu lado no banco do passageiro. E chegando no escritório, telefonei para a Eli para saber se estava tudo OK. “Tudo na santa paz D. Maria Eugênia. Tudo belê.”

 

De noite, o resultado da disciplina que nem sempre é fácil mas é absolutamente necessária: quando chegamos do trabalho estavam as três vestidas de bailarinas, coque no cabelo, prontas para mostrarem uma dança que, segundo a babá, tinham ensaiado a tarde toda.

 

E foi assim que as minhas três florzinhas, com aquelas carinhas angelicais, começaram a dançar ao som de uma música linda que elas escolheram no toca DVD de brinquedos que elas ganharam há muito tempo. Não consegui conter as lágrimas e meu marido também ficou muito emocionado. Além disso, relatou Eli, brincaram de massinha, LEGO, desenharam, criaram monstrinhos de sucata, foram ao malfadado parquinho e se deliciaram.


No final da dança elas nos abraçaram e disseram: Mamãe, papai… tivemos um dia delicioso!

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